quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Criança

A Criança


O rosto de uma criança
com seu sorriso rasgado
dá-nos de novo a esperança
de um futuro e um passado.

Ela tem o nosso sangue
na sua constituição
e até o nosso nome
é uma renovação
que passa de pais para filhos
isso é muito importante
cuidar das nossas crianças
toda a hora e todo o instante.

Há que fazer a mudança,
pelo seu superior interesse,
no cuidado da criança,

pois ela tudo merece.

São Roxo Orvalho

Solidão

Solidão


Enquanto os anos vão passando
vai pesando a solidão,
dia a dia vou pensando
nos tempos que já lá vão.


De alguns tenho saudades
dos outros já me esqueci,
lembro algumas amizades
e dos amores que eu vivi...


Desses nem quero lembrar,
pois meu pobre coração,
está cansado de chorar,
pelos tempos que já lá vão.


 São Roxo Orvalho

O Povo Português

O Povo Português


O povo português
vive em grande apatia
ou se fecha em sua casa
ou dorme de noite e de dia.
Acorda povo, acorda!
vamos todos para a rua
fazer a revolução,
continuar a nossa luta
contra a governação
dos partidos da direita
que nos roubam noite e dia
o salário ou a reforma

a que nós temos direito.

São Roxo Orvalho

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Évora, 25 de Abril de 2014

Évora, 25 de Abril de 2014
Falar do 25 de Abril de 1974, 40 anos depois.
A Revolução do 25 de Abril de 1974 foi muito importante para mim, tal como para os demais portugueses porque, obrigou Marcelo Caetano a pedir a demissão, consequentemente acabou com a ditadura e instituiu a democracia em Portugal.
Levou às primeiras eleições livres em 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte, que elaborou a nova Constituição da República Portuguesa, que passou a garantir os direitos fundamentais para a toda a população, realço alguns dos que para mim são mais importantes, tais como:
-Liberdade, igualdade, educação, saúde, trabalho, paz, habitação...
Acabou com a guerra colonial, que mobilizava os nossos jovens e os obrigava a fazerem uma guerra que não era a sua, que foi uma das principais causas para os militares desencadearem a revolução, e o que deu lugar à declaração da independência desses povos, tornando-se países independentes. Não concordo como foi feita a descolonização, não esqueço a guerra civil em Angola, os graves problemas da Guiné e de Moçambique, os muitos portugueses que tiveram que fugir das colónias para Portugal a grande avalanche dessas pessoas, “retornados” que vieram sem nada, muitos com crianças ao colo, que chegaram a um país deprimido e sem condições para os acolherem dignamente.
Estamos este ano a comemorar os 40 anos da Revolução do dia 25 de Abril de 1974.
Há 40 anos atrás eu era uma jovem trabalhadora de 17 anos de idade, cheia de planos e de sonhos.
Durante todo esse dia de trabalho, ouvimos no pequeno rádio a pilhas do encarregado, os comunicados do Movimento das Forças Armadas à população, para se manterem serenos e em casa, mas nós nem tínhamos a noção do que se estava a passar, só à noite quando chegamos a casa e vimos na televisão, é que começamos a tomar consciência do que se estava a passar.
Depois foi a euforia do povo libertado nas ruas, as manifestações, os comícios, as lutas a Reforma Agrária, onde eu tive uma participação ativa, fazendo parte de uma das primeiras comissões de trabalhadores, eleita por voto dos colegas de braço no ar. A minha luta pessoal contra qualquer tipo de discriminação das mulheres, seja na família, no trabalho e na sociedade, começou nessa altura e ainda se mantem atualmente.
Hoje caminho a passos largos para os 60 anos (tenho 57), casei a uma semana de completar 19 anos, tenho um casal de filhos, e enviuvei aos 27 anos. Criei os meus filhos com muitas dificuldades, sou uma pessoa de sorriso fácil, mas nunca perdi a vontade de lutar, por um país onde todos possamos ter uma vida melhor. Tenho duas netas e um neto, que me dão muitas alegrias e me enchem de orgulho, tal como os seus pais.
O que eu tenho para dizer sobre estes 40 anos do 25 de Abril, é que avançámos muito a nível civilizacional e em qualidade de vida.
O acesso à educação foi democratizado, deixou de ser um privilégio de alguns, filhos das famílias das classes mais abastadas, para passar a ser um direito, constitucionalmente garantido, para todos os portugueses. Até para os adultos como eu, que não teve possibilidade de estudar enquanto criança e jovem, completei o 12.º ano há poucos anos. Eu incentivei os meus filhos estudaram, ele é licenciado em Engenharia Agrícola, ela tem o 12.º ano, e está a completar o Curso de Técnica Profissional de Informática de nível IV.
A saúde passou a ser um direito garantido na nossa constituição. Foi criado o serviço nacional de saúde, para universalizar o acesso à saúde de toda a população portuguesa, com isso aumentou a longevidade e diminuiu a mortalidade, principalmente a infantil, para níveis nunca até então atingidos.
Eu penso que passados 40 anos do 25 de Abril, avançámos muito em qualidade de vida, mas atualmente o que vejo é que estamos a retroceder civilizacionalmente.
Há muitas famílias que incluem crianças e jovens, a viverem na maior das pobrezas, porque não teem recursos para viverem com um mínimo de qualidade de vida. O acesso à saúde e educação estão cada vez mais difíceis, os impostos atingiram níveis inaceitáveis, retirando recursos às famílias e à economia do país.
Na minha opinião, a democracia está cada dia que passa, a ser atacada por políticas da direita radical e da troika, e há famílias que investiram tudo na compra da sua habitação, mas com as altíssimas taxas de desemprego em Portugal, estão a perder essas casas, sem recursos financeiros para as manterem.
Estamos a perder todos os direitos adquiridos nos locais de trabalho, principalmente na função pública, os reformados estão a ver as suas reformas diminuídas.
Há um ataque a todos os direitos e valores porque os militares de Abril fizeram a revolução, o medo começa a calar o povo, o que faz com que nos isolemos e baixemos os braços, em vez de sairmos para a rua a protestar contra as políticas de direita, que nos estão a causar muitas dificuldades.
Eu penso que a união faz a força, e que só um povo unido pode vencer esta crise, que vai ficar para a história, como uma das maiores porque passámos nesta democracia, por isso temos unir forças para a ultrapassar, lutando pelos valores de Abril, para os manter vivos dentro de nós, e passa-los aos nossos filhos e netos.
Viva os 40 anos do 25 de Abril!
Abril de novo com a força do povo!
                                                                               
                                                                                                                                                            Conceição Orvalho


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo 2013

Feliz Ano Novo


O ano de 2013
já está a acabar,
mas  para os portugueses,
foi um ano de azar.

Este ano está no fim,
e não vai deixar saudade,
pois eu penso cá para mim,
estou farta de austeridade!

Ele vai ficar para a história,
do nosso querido país,
cada dia é uma vitória,
porque o governo assim quis.

Mas não vou desanimar,
ao findar este ano,
a todos vou desejar,

um excelente ano ...

São Roxo Orvalho

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Natal

Natal

É Natal e neste dia,
os nossos corações,
estão cheios de alegria,
cantando lindas canções.

O Natal é uma festa,
da família e das crianças,
a estas  damos brinquedos,
e aos adultos lembranças.

No Natal em cada casa,
monta-se o lindo Presépio,
com  José  e  com Maria,
mais o Jesus Menino.

Há o lindo pinheirinho,
com bolas, luzes e fitas,
muito bem enfeitadinho,
e em  baixo as prendinhas.

Há na mesa bacalhau,
rabanadas, arroz- doce,
há aletria, há nozes,
há pão-de-ló e há mousse.



O Natal é das famílias,
que ficam muito mais unidas,
mas lembram-se sempre daqueles,
que lhes deixaram saudades...

A todos um Feliz Natal,
e não percam a esperança,
nesta quadra  estamos mal ,
mas quem espera, sempre alcança...

São Roxo Orvalho
Évora, 25/11/2013


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Brilho Enganador...

O brilho enganador…
Tem o brilho de um cristal,
Ou de um lindo diamante,
Mas porque é falso o seu brilho,
Quando cai faz-se em pedaços,
Que nos cortam num instante.
Perde o seu brilho e beleza,
Perde o valor monetário,
Vai para o lixo finalmente…

(Metáfora)
Évora, 13 de Junho de 2010
Conceição Orvalho

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz Ano de 2011


A todos um Feliz 2011.

Com muita felicidade, apesar de tudo.
Porque a felicidade não se encontra no recibo do ordenado, cada vez mais curto.
Encontra-se dentro de nós.
Beijinhos ou abraços (conforme quem lê)

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sábado, 27 de novembro de 2010

Poesia

Liberdade  

Ai que prazer

Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler

E não o fazer!

Ler é maçada,

Estudar é nada.

O sol doira

Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,

Sem edição original.

E a brisa, essa,

De tão naturalmente matinal,

Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.

Estudar é uma coisa em que está indistinta

A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,

Esperar por D. Sebastião,

Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca

Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

Poesia

Porque os outros se mascaram mas tu não


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.



Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Soneto

                     








A Minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…

A minha Dor é um convento. Há Lírios
Dum Roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
Ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…

“Sonetos”
Florbela Espanca