Centro de Novas Oportunidades de Évora entregou diplomas a 430 adultosQuinta, 04 Dezembro 2008 10:05
O Centro de Novas Oportunidades de Évora (CNO) da Fundação Alentejo realizou no passado fim-de-semana, no auditório da Comissão de Coordenação do Desenvolvimento Regional do Alentejo, em Évora, a sessão de entrega de diplomas a adultos certificados no ano de 2008, num total de 170 de nível básico equivalente ao 9.º ano e de 260 de nível secundário ou 12.º ano de escolaridade.
Para a presidente da Fundação e directora do CNO, Fernanda Ramos, "este foi um momento muito importante", revelando sentir-se "feliz" por entender que vale a pena apostar-se nas pessoas. "Tivemos aqui pessoas de várias idades, um casal com mais de 70 anos a receber o seu diploma, mas também muitos jovens. Tivemos aqui a expressão daquilo que é a nossa sociedade, da vontade e do querer das pessoas", salientou, asseverando que estão reunidas as condições "para desenvolvermos o nosso Alentejo juntamente com as suas pessoas, pois temos vontade e força para levar por diante o nosso Alentejo".
Fernanda Ramos recordou todos aqueles adultos que já passaram pela formação na instituição que dirige, afirmando que desde 2001 foram certificados 1.438 adultos "que passaram a ter maiores possibilidades e melhores condições no desenvolvimento das suas actividades". Em 2007, a Fundação Alentejo viu aprovado o seu centro de novas oportunidades, situação que permitiu a validação do 12.º ano a 425 adultos. "É sempre tempo de aprendermos, embora não tenhamos todos de ser doutores, temos todos de ser aprendizes", frisou. Agradecendo a todos, a mesma responsável sustentou que "estas certificações ajudam o país a sair da cauda da Europa, pois é valorizando as pessoas que fazemos uma região melhor, um melhor país e uma melhor Europa".
Desvalorizando as críticas feitas sobre o facilitismo destas certificações, afirmando que "em tudo na vida há sempre quem queira dizer mal e é sempre mais fácil destruir do que construir", Fernanda Ramos garantiu que no CNO "é um espaço onde se constrói, certifica e valida competências, não se dão diplomas". "Estes certificados conseguem-se com trabalho e vontade, havendo uma equipa de profissionais que estão disponíveis para ajudar a concretizar os objectivos de todos aqueles que decidem apostar em si, aproveitando mais esta oportunidade", reiterou.
Uma oportunidade que, na opinião do reitor da Universidade de Évora, Jorge Araújo, é apenas mais uma das muitas que a vida dá, pois outras "podem ser encontradas" na instituição que lidera. "A Universidade de Évora está aberta a toda a população, toda a população pode frequentar a Universidade, sejam jovens ou menos jovens", asseverou. O reitor explicou que existe, anualmente, um concurso para maiores de 23 anos a que estes adultos podem concorrer, advertindo contudo que e mesmo quem não entre através desse concurso pode inscrever-se como aluno externo da Universidade e ir coleccionando cadeiras, "podendo, um dia, concorrer pelas vias normais e fazer as que lhe faltam para terminar o seu curso".
Uma aposta na formação que, no entender de Carmo Gomes, representante do secretário de Estado da Educação e vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, "deve ser ganha, contrariando um número que motivou todo este trabalho e todo o desenho desta iniciativa". Um número que definiu como "assustador" – três milhões e trezentos mil portugueses não completaram o nível secundário de educação – tendo em conta que somos pouco mais de dez milhões. "Basta uma conta simples para percebermos que mais ou menos metade dos dez milhões é população activa e destes cinco milhões, mais de três milhões não concluíram o 12.º ano", explicitou.
Neste sentido relembrou a "importância" destas novas oportunidades que "lhes permitem que aceder a estruturas de educação e formação com vista a concluírem o seu nível de escolaridade". Carla Gomes afiançou que "nenhum país pode ser competitivo se tiver três quartos da sua população activa sem ter o nível secundário de formação", apelando deste modo a que todos os pais influenciem os seus filhos a completar a sua aprendizagem até ao 12.º ano.
Nunca é tarde...
A palavra ‘reformado’ induz-nos, na maioria dos casos, a pensar em alguém que está parado, mas Francisco Vicente representa o contrário disso. Tem 76 anos, é efectivamente reformado, mas acabou de receber o diploma do 9.º ano. "Foi para relembrar os meus antepassados e aprender mais, contribuindo para o progresso do nosso país" que este idoso decidiu lançar-se "no desafio" desta certificação. "Tinha só a quarta classe, porque tive que ir trabalhar para o campo onde estive até aos 24 anos. Depois entrei para as telecomunicações onde tive 36 anos, fiz vários cursos e cheguei ao nível 7 e após isso reformei-me e passei a tratar do que é meu. Entretanto, surgiu esta oportunidade e decidi tentar", recordou.
Fez o reconhecimento das suas competências, nos Canaviais, juntamente com a sua mulher que tem 74 anos e os dois foram receber no passado fim-de-semana o diploma que mostrou com muito orgulho. Revelou estar "muito contente, tudo foi bom", mas para ser sincero confessou que o melhor "foi o computador". "Eu olhava para aquilo e não percebia nada e agora estou mais operacional e os meus netos e os meus filhos vão-me ensinando e lá nos vamos entretendo. Adoro ir à Internet procurar como vai estar o tempo, ver os vídeos e ir ver o mundo no Google", afirmou, acrescentando que a sua mulher tem outro computador "para não guerrearmos".
Também Ana Maria disse ter visto concretizado um sonho antigo que durante muito tempo pensou que seria impossível realizar. Terminada esta etapa e com os olhos postos no futuro, "não posso dizer que acabei porque estou à espera de iniciar o meu percurso de certificação do 12.º ano e depois quem sabe...". A mesma vontade tem Generosa Varela que apenas possuía o 6.º ano, mas que depois de ter obtido a certificação do 9.º ano já está a pensar em continuar.
http://www.diariodosul.com.pt/index.php/noticias/333
Diário do Sul
Eu também fui receber o meu diploma do Ensino Secundário
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