domingo, 30 de abril de 2023

Poema Amália

 Poema Amália

A nossa querida Amália

Foi uma grande fadista

Habituei-me a admirá-la

Por ser uma enorme artista

Cantava o fado com garra

Sempre de cabeça erguida

Também chorava a guitarra

Que estranha forma de vida

De um coração independente

Numa casa portuguesa

Viveu uma paixão ardente

Tinha uma grande nobreza

Com o seu xaile traçado

E o lindo vestido negro

O seu povo muito amado

Amália chorava a cantar

Com o coração na voz

Esta uma fadista popular

Cantava para todos nós

Ó gente da minha terra

Um povo cheio de mágoas

Os jovens iam para a guerra

As mães choravam suas lágrimas

Para dar de beber à dor

Todos os sonhos eram seus

Amália cantava o amor

Também cantava a saudade

E foi por vontade de Deus

Que partiu para a eternidade

Pinóquio e a Mentira

 Pinóquio e a Mentira 

Era uma vez um velho carpinteiro

Para acabar com a sua solidão

Para que fosse o seu companheiro

E assim acalmar o seu coração 

Construiu um boneco de madeira

Este senhor era o Gepeto

Que levou com ele, o boneco à feira

Chamou Pinóquio, ao seu lindo boneco 

E era de um menino, o seu aspeto

Eis que surge a sua fada madrinha 

Pô-lo a andar e a falar como se fosse um eco

Fez esta a magia com a sua varinha 

Avisou-o que, se dissesse alguma mentira

O seu nariz, começava a crescer

Ele não acreditou, e até sorrira

Era assim, que ele queria viver

Então apareceu um grilo falante

O Pinóquio contou-lhe uma mentira

Com um olhar muito desafiante

O grilo deu-lhe um raspanete

Porque o seu nariz começou-lhe a crescer

O Pinóquio não gostava de estudar

E tinha muita pressa de viver

Só pensava de pelo mundo viajar

Mas para o circo teve de ir trabalhar

Depois fugiu e foi parar ao mar

E engolido por uma baleia depois de naufragar

Até que Gepeto o foi lá resgatar

Levou-o para casa, depois de o avisar

Que a mentira tem a perna curta

Só dura, até ser apanhada pela verdade

Esta é a verdade mais pura

E não é mentira, é a realidade

Poema do Enigma “O Lápis”

 

Poema do Enigma

“O Lápis”

É um pequeno objeto

De madeira, construído

Tem o bico embutido

Com o coração de grafite

Que é um antigo minério

Para o tirarem da terra

Têm de usar dinamite

Para mim é um mistério

Pode ser preto carvão

Ou ser de qualquer cor

Seja lá qual ele for

Serve para redigir

Com alma e coração

Mas se quiser corrigir

Basta usar a borracha

Quando a ponta não se acha

Então usa-se a afia

E continuar como queria

A lavrar a redação

E a fazer a poesia

Que é a minha paixão

Viagem do Navio Negreiro

Exercício de Escrita Criativa

 Viagem do Navio Negreiro

Numa manhã de denso nevoeiro, o navio negreiro partiu da Guiné, com destino a Portugal. Iniciava a viagem com cerca de 500 escravos, homens, mulheres e crianças, transidos de medo, amontoados num escuro, húmido e frio porão, onde os gritos e as lágrimas, se misturavam com o suor e o vómito daqueles negros assustados, que nele viajavam. Quanto mais se afastava da costa, mais crescia o medo, de quem caiu em desgraça. Lá fora, as ondas batiam no casco do navio, abafando os gritos e os gemidos dos escravos.

A viagem foi longa, os negros passaram muita fome e sede, só eram alimentados uma vez por dia, e pouco lhes matavam a fome e a sede, muitos deles adoeceram, de escorbuto, febre amarela, varíola, sarampo e problemas gastrointestinais, alguns deles morreram durante a viagem, mas ficaram durante algum tempo junto com os vivos, depois eram lançados às águas do mar revolto, que lhes serviu de cemitério.

Os que sobreviveram, foram então desembarcados, acorrentados, e, após o pagamento dos impostos na alfândega, foram vendidos nos mercados de escravos, pelos mercadores esclavagistas.

Afilhado de guerra

 O afilhado de guerra

O meu afilhado de guerra M.M.F. era natural de Mirandela, terra fria transmontana. Era militar dos comandos, fez a recruta e a especialidade em Lamego, sendo depois mobilizado para a guerra do Ultramar em 1972, primeiro para Angola, onde ia terminar a formação, depois era deslocado para a frente de combate, para qualquer uma das províncias.

No seu pelotão, tinha como companheiro, o namorado da minha irmã, que lhe falou de mim e lhe deu o meu nome e endereço.

Ele escreveu-me então uma carta, a pedir-me que fosse sua madrinha de guerra, que me senti honrada em aceitar, para ajudá-lo, da melhor forma possível, a ultrapassar as difíceis agruras da guerra.

Acabei de achar, no fundo de uma gaveta, um envelope amarelecido, tinha dentro uma carta, já um pouco rasgada e uma fotografia, do meu afilhado de guerra, vestido de uniforme, de arma na mão, junto da sua caserna.

Ele escrevia-me com frequência aerogramas, que eram mais baratos que as cartas e não pagavam portes de correio aéreo, onde desabafava todo o sofrimento diário a que estavam sujeitos, ele e os companheiros, a quem eu tentava apoiar e a dar-lhe esperança no seu regresso, são e salvo.

Contou-me, que trazia sempre ao pescoço, um fio de contas em forma de terço, que a sua mãe lhe trouxera de Fátima, onde tinha ido pedir proteção de Nossa Senhora, para o seu querido filho, que tinha sido mobilizado para a guerra, do qual ele nunca se separava, com o qual rezava diariamente, que lhe servia de consolo nas horas mais difíceis da guerra

Ele escrevia-me com muita frequência, mas ao fim de algum tempo, deixou de me escrever, e o correio que eu lhe escrevia, começou a ser-me devolvido, então o namorado da minha irmã, escreveu-lhe a contar, que o meu afilhado, tinha sido ferido perto de Benguela, que foi hospitalizado, depois transferido para Luanda, que o seu pelotão, foi enviado para Moçambique, para a zona de Tete e que tinham perdido o contacto com o meu afilhado.

Também nós, nos mudamos de vez, de Trás-os-Montes para o Alentejo, para onde o meu pai foi transferido pela CP, o que contribuiu, para que perdêssemos de vez o contacto.

Hoje, ao encontrar esta carta, com a fotografia, veio-me à memória, o meu tempo de menina moça, e todos os sonhos dos meus 15 anos.

Sou Um Bule Rachado

 Exercício de Escrita Criativa - Sou Um Bule Rachado

Sou um bule rachado, sou feito de fina porcelana, tenho cinco faces, em cada uma delas tenho um pequeno ramo de flores azuis, em volta tenho umas finas linhas também azuis.

Fazia parte de um serviço de chá, que os meus donos compraram em Trás-os-Montes, onde servia muitas vezes um chá bem quentinho, às visitas da casa onde vivia.

Depois os meus donos foram embora para o Alentejo, eu e os meus irmãos pires e chávenas, servíamos o chá às visitas da filha dos meus donos, que tomava conta de nós.

Passados alguns anos, fomos todos muito bem enrolados em jornais, colocados num caixote e colocados dentro de um comboio, a caminho da casa nova dos meus donos, na linda cidade de Évora, no Alentejo.

Um dia depois de servir um chá, numa das muitas reuniões de família, uma das filhas dos meus donos, enquanto me lavava, deixou-me cair dentro do lava-louça, e fez-me esta rachadela, então ela limpou-me com cuidado e foi-me colocar dentro do louceiro, junto do restante serviço de chá, de que fazíamos parte, e lá permaneci até ter calhado por herança, à minha atual dona, que me guarda com todo o cuidado, mesmo sendo um bule rachado, como se eu fosse de enorme valor.

Coitado de mim, para aqui estou sozinho, fui separado dos meus irmãos, porque cada elemento da família quis guardar como recordação uma peça do mesmo serviço que eu.

De vez em quando a minha dona pega-me com todo o cuidado, lava-me e limpa-me muito bem, fica a olhar-me como se eu fosse uma joia rara, depois, volta a colocar-me com todo o cuidado, dentro do louceiro.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

VIVA A UCRÂNIA MALDITA GUERRA!

 Viva a Ucrânia

MALDITA GUERRA!

Ninguém estava à espera,

Que logo ao acordar,

Ver na nossa televisão,

Gente, outra gente matar,

Sem nenhuma compaixão.

Ver mães com filhos ao colo,

E com outros pela mão,

A fugir para os salvar.

Ao ver essas imagens,

Dói-nos o coração.

Esta guerra é muito injusta,

Está muita gente a morrer

Muitos estão a sofrer

Porque este grande ditador,

Ambicioso e traidor,

Com muita sede de poder

E sonhos de imperador,

Do seu palácio em Moskovskiy

Quer matar o seu opositor,

O SENHOR Volodymyr Zelensky,

Que é um GRANDE PRESIDENTE,

Deste povo defensor,

Pobre povo sofredor!...

O meu coração sofre

Pelo povo da Ucrânia

Que está cada vez mais pobre

Com toda esta infâmia

Os Ecos De Liberdade e Paz

 Os Ecos De Liberdade e Paz

      Estão em Kiev, as Valquírias!

Querem saber quem são elas?

- São Mulheres lutadoras

Que lutam com o coração

Ao ouvi-las explicar

Porque vão combater

Falam com muito orgulho

Do que querem fazer

Querem ajudar os homens

Nesta luta desigual

Combater contra os russos

E também contra o Putin

Que parece um animal

Que é uma pessoa ruim

Manda matar um povo

Na sua terra natal

E todas estas mulheres

Sufocam os seus soluços

Para irem combater

Pela liberdade do povo

Que muito está a sofrer

Para que com os ecos da paz

E com os ecos da liberdade

O povo seja capaz

De viver à sua vontade!

Os Ecos De Liberdade e Paz

    Os Ecos De Liberdade e Paz

Queremos ouvir na Ucrânia

Os ecos da liberdade

Acabar com esta infâmia

Na aldeia e na cidade

Que mata um povo inocente

Com toda esta maldade

Os ecos da liberdade e da paz

Devem ter prioridade

Só ela nos satisfaz

Para viver à vontade

Por isso queremos ouvir

Os ecos da liberdade

No norte, leste ou oeste

Seja no centro ou no sul

Sofre um povo a fugir

Queremos ver o céu azul

Não com bombas a explodir

Nem com buracos no chão

Feitos pelos perigosos mísseis

Balísticos e de fragmentação

Ou pelos tais, hipersónicos

Que são grandes demónios

Ninguém os consegue parar

Queremos acabar com a guerra

Para que haja paz na terra!

A luz no teu caminho


A luz no teu caminho

É a luz que brilha
Ao fundo do túnel,
E faz com que tudo,
Seja possível.
É luz, é claridade...
Que ilumina,
A linda cidade!
E o teu caminho,
Quando te sentes,
Muito sozinho.
É chama que arde,
E que não queima,
Mas na verdade,
Dá mais luz,
Do que a lareira.
É luz, é claridade...
Na noite escura,
A felicidade pura,
Na luz que brilha,
Ali, naquele lar,
E na igreja,
Também ilumina,
O seu altar.

 

As belas Surfistas!


As belas Surfistas!

São elas, as mulheres surfistas!
Deslizando suavemente sob as águas do mar,
Montadas nas suas enormes pranchas,
Lá vão elas todas aprumadas,
Fazem uma festa quando estão a surfar.
Com os seus lindos cabelos ao vento,
Tiram fotografias para fixarem o momento,
São para mais tarde poderem recordar.
Vão de terra em terra, as grandes aventureiras,
Correndo atrás das ondas e das marés,
Com as suas pranchas debaixo dos pés,
Deslizam pelas ondas do mar,
Naquelas tão lindas praias douradas,
Nas bonitas ilhas do Havai,
Aquelas belas mulheres surfistas,
Caem e levantam-se sem darem um ai.


 Conceição Orvalho

Passeio em Família


Passeio em Família

Todos os domingos
Faziam grandes passeios
Por aqueles campos fora
Logo ao romper da aurora
Era grande a alegria
E durante todo o dia
Lá ia a grande família
Só parava para comer
E viam os miúdos correr
Por aqueles lindos prados
E não havia enfados
Sentiam o amor a crescer
Todos juntos a conviver
E só voltavam ao anoitecer


Conceição Orvalho

O Seu Sonho Acabou


O Seu Sonho Acabou
A loja que ele herdou
Está quase a fechar
O seu sonho acabou
Agora está a saldar
Está tudo em liquidação
Era a loja dos seus sonhos
Porque tudo o que sonhou
Para sempre acabou
Agora parte-se-lhes o coração
Estão de malas aviadas
Vão-se embora agora
É que um homem também chora
Com os impostos a aumentar
Não se ganha para os gastos
Hoje eles estão de rastos
Vão ter que emigrar
Para a vida ganhar

Conceição Orvalho

Delírios de Inverno

 I

"Delírios de Inverno"


É um delírio de inverno
Ou um grande pesadelo
Ter uma vida de inferno
Com esta dor de cotovelo

Com o frio dói-me o ombro
Que sofreu uma cirurgia
Às vezes ele dói-me tanto
Que vivo em agonia

Estava a falar do esquerdo
Mas também o meu direito
Está muito aleijado
Que me dói até o peito

Falos dos membros superiores
Mas não me posso esquecer
Que os membros inferiores
Também me estão a doer

Na coluna tenho hérnias discais
Que são problemas graves
Me fazem dar muitos ais
Tornam-me os movimentos incapazes

Para vestir o meu vestido
Ou calçar os meus sapatos
Às vezes penso que é castigo
Outras que resultam dos factos

De ter começado a trabalhar
Quando ainda era criança
Por isso estou agora a pagar
Com toda esta doença

 Até parece um castigo
Por não ter ido estudar
E penso às vezes comigo
Porque fui tão cedo trabalhar

Porque os meus outros irmãos
Também foram trabalhar
 Não podia haver exceções
Para ir só eu estudar

Os meus pais eram pobres
Mas tiveram oito filhos
Tinham sentimentos nobres
E tinham muitos sarilhos

Com dez bocas a comer
A todas as refeições
Havia muito que fazer
Para poupar uns tostões

Sempre trabalhei com afinco
Durante toda a minha vida
Agora tudo o que eu sinto
Que foi uma vida perdida

Porque os meus dirigentes
Nunca me deram valor
Se eles fossem coerentes
Tinham-me dado um louvor

Foram mais de trinta anos
De trabalho e dedicação
Foi uma vida de enganos
Que partiu o meu coração…

 II
"Delírios de Inverno".

Tenho Saudades
 Saudade do que passou
foi-se embora e não voltou
deixou para trás um vazio
difícil de preencher
deixou imensa tristeza
deixou fome, deixou frio
tirou toda a beleza
foi contra a natureza
porque o que era natural
era continuar a lutar
nos dias que estavam para vir
podia escolher outra via
foi aquela que escolheu
nada e ninguém o demoveu
eu é que não pude escolher
tive que a vida viver
um dia de cada vez
porque ele assim fez
com que isso acontecesse
deixou-me muita saudade
não dele,
da minha mocidade
e de todos os sonhos
com que eu sempre sonhei
a ele me dediquei
mas sozinha então fiquei
ele tudo me tirou
foi a casa e o futuro
nem lembranças me deixou
só o luto e a tristeza
tirou-me a pouca beleza
com que Deus me bafejou
tirou-me toda a alegria
que eu tinha noite e dia
e o futuro promissor
com que eu sempre sonhei
acabou, naquele maldito dia
negro dia de outono
que mais parecia de inverno
deixou tanta solidão
mas não acabou a minha luta
que eu tenho dia a dia
em busca do nosso pão
ai saudade, ai solidão!
que pesa cada vez mais
dentro do meu coração…

III
 "Delírios de Inverno".

 Lá vai a pequena pastora
Com o gado para os campos
E a sua mente sonhadora
Deixa-a às vezes, em prantos

Com a sua roupa rasgada
E a sola das socas já gasta
Come pão de côdea dura
Que com água a empurra

Olha para as nuvens do céu
E fala com os seus botões
Tem um sonho que é só seu
Quando juntar uns tostões

Vai comprar uma linda saia
Comprar também uns sapatos
 Para a festa da aldeia
Porque os seus já estão gastos

Se sobrar algum tostão
Vai comer uma cavaca
Vai dançar o malhão
E beber uma laranjada

Vai vestir-se de anjinho
Durante a procissão
E junto com o povinho
Mostrar a sua devoção


 Évora, 13 de Abril de 2020
Maria da Conceição Saraiva Roxo Orvalho