quarta-feira, 29 de abril de 2009

Gripe

Nova estirpe do vírus da gripe identificada em surtos de gripe humana de origem suína no México e Estados Unidos da América
A Organização Mundial da Saúde coordena a nível global a resposta ao surto de gripe humana de origem suína identificada no México e nos Estados Unidos da América, avaliando e monitorizando o respectivo potencial pandémico.

Fases pandémicas
(1) Um novo subtipo de vírus é um vírus que ainda não circulou em humanos durante, pelo menos, várias décadas e para o qual a maioria da população humana não tem imunidade.

(2) A distinção entre as fases 1 e 2 baseia-se no risco de infecção ou doença humana, resultante de estirpes que circulam em animais. Esta distinção é baseada em vários factores e a sua importância relativa, de acordo com os conhecimentos científicos actuais. Estes factores podem incluir a patogenicidade em animais e humanos; a ocorrência em animais domésticos e gado ou em animais selvagens; a ocorrência em enzootia ou epizootia; a ocorrência em áreas geográficas localizadas ou dispersas e/ou outros parâmetros científicos.

(3) A distinção entre as fases 3, 4 e 5 é baseada na avaliação do risco de ocorrência de uma pandemia. Podem ser considerados vários factores e a sua importância relativa, de acordo com os conhecimentos científicos actuais. Estes factores podem incluir a velocidade de transmissão, a localização e disseminação geográfica, a gravidade da doença, a presença de genes de estirpes humanas (se derivados de uma estirpe animal) e/ou outros parâmetros científicos.

(4) Surtos com poucos casos humanos (ex. 25 casos, com duração de menos de 2 semanas). Nas fases iniciais de um surto não será possível calcular Ro (taxa/número básico de reprodução = média de novas infecções geradas por um caso), mas, com base em estudos de modelação, calcula-se que estes surtos terão 0 <>
(5) Surtos com maior número de casos humanos (ex. 25 a 50 casos, com duração de 2 a 4 semanas). Nas fases iniciais de um surto não será possível calcular Ro (taxa/número básico de reprodução = média de novas infecções geradas por um caso), mas, com base em estudos de modelação, calcula-se que estes surtos terão 0,5 <>
1. Conselhos práticos
Cuide-se - Descanse; - Beba muitos líquidos (água e sumos, de preferência sem açúcar); -
Não se agasalhe demasiado; - Tome medicamentos para a febre e dores (paracetamol, mesmo para crianças e grávidas; os adultos também podem tomar aspirina);
- Não dê aspirina às crianças, sem ser por recomendação médica; - Não tome antibióticos, porque não actuam nas doenças virais, não melhoram os sintomas nem aceleram a cura;
- Se viver sozinho, especialmente se for idoso, deve pedir a alguém que lhe telefone regularmente para saber como está. Se tiver uma doença crónica ou se os sintomas se prolongarem ou agravarem, contacte o seu médico assistente. Evite transmitir a gripe
- Reduza os contactos com outras pessoas;
- Lave frequentemente as mãos com água e sabão;
- Se tossir ou espirrar proteja a boca e o nariz com um lenço de papel de utilização única ou use o antebraço e não as mãos
- lave as mãos; - Para se assoar use lenços de papel de utilização única - lave as mãos.
Se tiver dúvidas, telefone para a linha Saúde 24 - 808 24 24 24
Perguntas e respostas
O que é a gripe?
É uma doença infecciosa aguda das vias respiratórias, causada pelo vírus da gripe.
Em que altura do ano é que surge a gripe?
A gripe ocorre, geralmente, entre Novembro e Março, no hemisfério Norte, e entre Abril e Setembro, no hemisfério Sul (meses frios locais), pelo que é designada por sazonal (relacionada com a estação do ano). Durante a Primavera e o Verão podem surgir doenças que, eventualmente, se confundem com a gripe mas que são provocadas por outros vírus.
O que é uma epidemia de gripe?
É a ocorrência de casos de gripe em número superior ao esperado numa determinada comunidade ou região.
O que é uma pandemia de gripe?
É uma epidemia que abrange uma vasta área geográfica e que atinge uma grande parte da população a nível mundial. No século XX, ocorreram três pandemias de gripe: em 1918/19 (gripe espanhola), em 1957/58 (gripe asiática) e em 1968/69 (gripe de Hong Kong). As pandemias são causadas por novos subtipos de vírus para os quais a população ainda não tem imunidade/protecção, e podem surgir em qualquer altura do ano.
Como se transmite a gripe?
O vírus é transmitido através de partículas de saliva de uma pessoa infectada, expelidas sobretudo através da tosse e dos espirros, mas também por contacto directo, por exemplo, através das mãos.
Qual o período de incubação?
O período de incubação (tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas) é, geralmente, de 2 dias, mas pode variar entre 1 e 5 dias.
Qual o período em que uma pessoa infectada pode contagiar outras?
O período de contágio começa 1 a 2 dias antes do início dos sintomas e vai até 7 dias depois; nas crianças pode ser maior.
Quais os sintomas/sinais da gripe?
No adulto, a gripe manifesta-se por início súbito de febre alta, calafrios, dores de cabeça, dor de garganta, dores musculares e articulares, tosse seca, congestão nasal e mal-estar geral. Para além da febre alta, nas crianças são frequentes os sintomas gastrointestinais (náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal) e a prostração, que ocorre em metade das crianças doentes até aos 4 anos de idade.
A gripe e a constipação são a mesma doença?
Não. Os vírus que as causam são diferentes e, ao contrário da gripe, os sintomas/sinais da constipação são limitados às vias respiratórias superiores: nariz entupido, espirros, olhos húmidos, irritação da garganta e dor de cabeça. Raramente ocorre febre alta ou dores no corpo. Os sintomas e sinais da constipação surgem de forma gradual.
Como se diagnostica a gripe?
O diagnóstico é essencialmente clínico, através da identificação dos sintomas e sinais descritos.
Qual a gravidade da gripe?
A maioria das pessoas recupera da doença em 1 ou 2 semanas mas, nalguns casos, como por exemplo pessoas mais idosas ou portadoras de algumas doenças crónicas, pode ser mais grave. Assim, o quadro clínico pode complicar-se com uma pneumonia por infecção viral ou bacteriana ou com um agravamento da doença crónica existente (asma, diabetes, doenças cardíacas, pulmonares ou renais), necessitando, eventualmente, de internamento hospitalar.
Como se evita a gripe?
A gripe pode ser evitada através da vacinação anual e da redução de contactos com pessoas infectadas. Esta vacina só confere protecção contra a gripe sazonal. Lavar frequentemente as mãos reduz o risco de contrair a gripe e outras infecções.
Quem deve ser vacinado contra a gripe?
Devem ser vacinadas as pessoas que têm maior risco de sofrer complicações depois da gripe: . Pessoas com 65 e mais anos de idade, principalmente se residirem em instituições;
. As pessoas com mais de 6 meses de idade que sofram de:
- Doenças crónicas dos pulmões, do coração, dos rins ou do fígado;
- Diabetes em tratamento (comprimidos ou insulina);
- Outras doenças que diminuam a resistência às infecções.
Quem não deve ser vacinado contra a gripe?
As pessoas com alergia grave ao ovo ou que tenham tido uma reacção alérgica grave a uma dose anterior de vacina contra a gripe.
A vacina contra a gripe funciona?
Sim. A vacinação reduz muito o risco de contrair a infecção e se a pessoa vacinada for infectada terá uma doença mais ligeira.
A vacina pode provocar a gripe?
Não. A vacina contra a gripe não contém vírus vivos, pelo que não pode provocar a doença. No entanto, as pessoas vacinadas podem contrair outras infecções respiratórias virais que ocorrem durante a época de gripe.
A vacina dá protecção a longo prazo?
Não, porque o vírus muda constantemente e surgem novos tipos de vírus para os quais as pessoas não têm imunidade. Assim, é necessário que a vacina seja diferente em cada ano.
Quando deve ser feita a vacinação?
Como, em Portugal, o pico da actividade gripal tem ocorrido entre Dezembro e Fevereiro, a vacinação deve ser feita, preferencialmente em Outubro/Novembro, podendo, no entanto, decorrer durante todo o Outono e Inverno.
Onde se compra a vacina?
A vacina compra-se nas farmácias e, com receita médica, é comparticipada.
Como se deve guardar a vacina?
Depois de comprada, a vacina deve ser administrada assim que possível. Até a levar ao serviço de saúde para ser administrada, a vacina deve ser conservada dentro da embalagem, no frigorífico, entre +2º e +8ºC (nas prateleiras do meio do frigorífico e não na porta).
Linha Saúde 24 - 808 24 24 24
Informação retirada:http://www.dgs.pt/

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Páscoa

Páscoa em Terras do Verde Minho

Em todo o Minho, o Domingo e a Segunda-feira de Páscoa e em muitos locais o Domingo de Pascoela, são celebradas com o "compasso" que vai de porta em porta.

É hábito por estas paragens conceder o "folar" ao pároco que visita as casas. As ofertas são variadas… por exemplo em Serdedelo as raparigas solteiras esperam o padre à entrada da porta, oferecendo-lhe um "raminho" que deverá transportar até outra casa onde lhe entregam novo "raminho". Mas as oferendas podem passar, também, pelo açúcar, arroz e ovos. Algumas Aldeias e freguesias minhotas possuem tradições muito próprias. O "compasso" em Vitorino das Donas, na Ribeira Lima, é conduzido por homens, que para se protegerem do sol, usam os célebres "cachenés" dos fatos regionais. É vê-los pelas ruas da freguesia, ao som dos foguetes lançados por quase todas as moradias, de lenço na cabeça como se de mulheres se tratassem. Uma das vivências mais particulares na Ribeira Lima é o “jantar do Mordomo da Cruz”. Cabe àquele que transporta a Cruz oferecer um repasto a toda a freguesia. É assim em Fontão (Ponte de Lima) e Meixedo (Viana do Castelo). Há anos em que à mesa de sentam cerca de 500 pessoas.No concelho de Viana do Castelo, na Freguesia de Cardielos, podemos assistir à velha tradição do “Bife da Páscoa” em que os homens da freguesia se juntam para, em jeito de concurso, elegerem o maior glutão. Em Braga, realizam-se, durante a semana santa, 5 procissões, das quais se destaca a Procissão do Ecce Homo, na Quinta-feira Santa, pelas 22h, guiada pelos Farricocos (homens com grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados, de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos), empunhando matracas e fogaréus.

quinta-feira, 19 de março de 2009


Hoje dia 19 de Março, dia do Pai e dia de são José Pai de Jesus, é também o meu dia de aniversário, vou trabalhar e espero passar um bom dia, à noite tenho jantar em família.

domingo, 8 de março de 2009

8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


8 DE MARÇO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Para ti Célia
Para mim é um dia para comemorar duplamente pois é o dia do aniversário da minha querida filha Célia a quem aqui deixo um grande beijinho de parabéns

sexta-feira, 6 de março de 2009

1.ª Feira Alentejo Jovem em Évora

1.ª Feira Alentejo Jovem abriu ontem ao final da tarde


As expectativas são muitas quanto à primeira edição de um certame dirigido para a educação, formação, qualificação profissional e emprego. No entanto, para o presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira, a aposta "está ganha". "Temos 38 instituições aqui presentes do mais variado tipo, desde a Universidade de Évora, escolas secundárias, escolas profissionais, institutos da juventude, forças armadas e de segurança, todas elas com o propósito de mostrar aos nossos jovens o que é que têm para oferecer", explicou, acrescentando ser esta uma forma dos jovens começarem a equacionar o seu projecto de vida e de exercício profissional.

Maria Madeira Bolas tem 15 anos, frequenta o 10.º ano do curso profissional de Turismo, na Escola Secundária Severim de Faria, e foi uma das primeiras visitantes deste certame. Com uma mão cheia de papéis informativos, esta adolescente tem já bem definido o seu percurso profissional. "Quero terminar o 12.º ano e queria ir para a Universidade de Évora para ser guia turística, por isso já tenho aqui tudo o que preciso de saber para quando chegar a altura me candidatar", avançou.
Instada sobre o interesse da feira, Maria Madalena Bolas afirmou estar "a gostar muito", salientando ser "muito importante para os estudantes, pois é uma maneira de ficarmos informados dos vários cursos que existem, quer profissionais, quer de ensino superior, bem como de outras saídas profissionais".
Com já alguma experiência no mercado de trabalho está Duarte Miguel, 25 anos, actualmente desempregado e que decidiu visitar esta feira "com o objectivo de encontrar aqui emprego, pois com tantas instituições aqui presentes, espero que algo exista". Embora tenha revelado que preferia trabalhar na área da distribuição, que foi o seu último emprego, este jovem afirmou que o que quer "é trabalhar, seja em que área for".
Essa oportunidade pode ser encontrada, por exemplo, no stand do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFF), pois segundo Carlos Vintém, sub-delegado regional do IEFP do Alentejo, "é temos aqui ofertas de emprego e outras podem ser consultadas através do nosso site". As oportunidades são relativas ao espaço europeu, nacional e regional, tendo exemplificado empregos como: programadores informáticos, vigilantes de crianças, contabilistas, auxiliares de limpeza, electricistas, empregados de balcão, entre outras. Este mesmo responsável explicitou que a presença do IEFP nesta feira visa também divulgar a formação que faz e que está disponível para os jovens que entenderem escolher uma via profissional com equivalência ao 9.º ou 12.º ano.
Assim, durante quatro dias, os jovens do concelho e de toda a região podem visitar os espaços das várias instituições, "esperando-se alguns milhares de jovens", opinou José Ernesto Oliveira, adiantando que espera que a sua mensagem para que a população portuguesa e alentejana aposte cada vez mais na qualificação seja ouvida. "A sociedade portuguesa precisa de recursos humanos qualificados e, de facto, as oportunidades surgem para quem tem qualificação e é com pessoas acreditadas que Évora também pode ser competitiva", concluiu.
Guia Feira Alentejo Jovem
Na sessão da inauguração do certame foi lançado um guia onde os jovens podem encontrar uma listagem da oferta formativa, dicas sobre como concorrer a um emprego, um exemplo de um caso de sucesso no mundo do trabalho, cinco passos para a criação do seu negócio, informação sobre programas com apoios e incentivos ao empreendedorismo e casos de cidadãos que não tiveram medo de arriscar e que criaram o seu próprio emprego.
http://diariodosul.com.pt/index.php/noticias/681

O Alentejo precisa de mais crianças

“O Alentejo precisa de mais crianças”
Mas os nossos jovens não estão a ter o apoio da Câmara Municipal de Évora para poderem constituir família, porque não há habitação a preços controlados para eles poderem alugar ou adquirir.
Eu tenho experiência própria do que estou a afirmar, porque tenho uma filha casada há vários anos, com uma filha de 11 anos a viverem comigo, porque não têm emprego seguro, e com baixos rendimentos, a viverem comigo, só ficou com uma filha porque não tem condições monetárias para ter mais.
O meu filho quer casar este ano, ainda não conseguiu arranjar casa compatível com os seus rendimentos.
O trabalho que lhes é oferecido é cada vez mais precário, nunca se sabe quando o desemprego lhe vai bater à porta, com esta crise em que vivemos, e que nos mantem tristes e acabrunhados.
Os alentejanos tal como todos os portugueses, perderam a esperança e com ela perderam o sorriso.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pobreza

Os portugueses andam deprimidos, tristes e desanimados porque não têm rendimentos para fazer face às despesas do dia a dia, cada vez há mais pessoas que não conseguem pagar as suas contas e a quem é cortada a água, o gás e a electricidade, béns essenciais que têm aumentados os seus preços muitos acima dos nossos parcos rendimentos, esses béns são necessários para a sua subrevivência, mas os nossos governantes nacionais e locais não fazem nada para minimizar estes problemas, não há dinheiro para ajudar os portugueses em dificuldades, mas há milhões para a banca e para o dono da cimpor.
Nas próximas eleições vamo-nos lembrar de tudo isto e pesar muito bém os prós e os contra de voltar a dar uma nova maioria a um só partido seja ele qual for.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Projecto Mirabal - Mulheres Sem Medo

O Monte - ACE e o Lar de Santa Helena são parceiros na implementação e divulgação deste projecto, que tem como principal objectivo a "promoção da igualdade de género e o combate e prevenção da violência doméstica".

Ao longo de dois anos, prevê-se a realização de acções de sensibilização e informação para a comunidade em geral e para públicos estratégicos. Além disso, estará em funcionamento um Gabinete de Atendimento a Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, com apoio psicológico, social e jurídico.

Emitido em directo para a RTA, o colóquio contou com a participação de Eduardo Figueira, presidente do Conselho de Administração do Monte, de Augusta Barbosa, psicóloga do Lar de Santa Helena, de Ana Beatriz Cardoso, jurista com experiência no atendimento a mulheres vítima de violência doméstica e parceira no projecto, e de Jerónimo Loios, presidente da Câmara Municipal de Arraiolos.

O Diário do Sul falou com os participantes no final do colóquio, recolhendo algumas impressões sobre o tema e sobre a realização desta mesa redonda. Todos eles foram unânimes em realçar a importância de debater esta questão e de promover a igualdade de género.

Eduardo Figueira começou por referir que "não há democracia, nem desenvolvimento local se não houver igualdade. Se houver violência doméstica, seja ela com mulheres, crianças ou idosos, nós estamos numa situação que não é qualidade de vida e nós queremo-la para todas as pessoas. Importa estudar esta questão para que ela possa ser debelada, o que vai ao encontro dos objectivos de melhorar a qualidade de vida e de promover o desenvolvimento, áreas onde trabalhamos".

Adiantou também que "o objectivo fundamental do projecto Mirabal - Mulheres Sem Medo é apoiar todas as vítimas de violência doméstica e incentivar as pessoas que sejam sujeitas a essa violência a denunciá-la, existindo uma mão amiga que as apoia e que as encaminha para os recursos existentes. No entanto, não podemos tratar apenas a vítima, tem de se tratar também o agressor para evitar futuras agressões".

Consciencializar as pessoas para esta temática é outra das áreas fundamentais do projecto. "É necessário que as escolas tratem este problema da igualdade de género e da violência, pois os conflitos não se resolvem com agressões, mas sim falando, tratando os problemas e respeitando as opiniões dos outros", afirma Eduardo Figueira.

Lembra ainda que "a violência doméstica continua a ser muito actual na nossa sociedade. O facto de haver mais denúncias só nos diz que mais pessoas, principalmente mulheres, conseguiram ultrapassar o medo da denúncia. No entanto, não sabemos a dimensão real do problema, e era fundamental que se fizesse um estudo sobre isso".

Desde 1995, o Lar de Santa Helena tem a funcionar uma casa abrigo, que recebe e acolhe mulheres vítimas de violência doméstica. Tem trabalhado também com alguns projectos de autonomia de vida com jovens que viviam em contexto de risco e que estavam institucionalizadas. Nesse sentido, Augusta Barbosa garante que "a problemática da violência e da disfuncionalidade das famílias é uma realidade da instituição".

A psicóloga recordou que "a violência sempre existiu, até porque a condição do próprio ser humano leva a que todos sejamos um pouco agressivos. Temos agressividade e impulsos agressivos dentro de nós. Obviamente, que numa sociedade deste século e que se diz democrática, temos cada vez mais de saber conter e controlar esses impulsos. Aquilo que sentimos é que a violência sempre existiu e existe cada vez mais. Contudo, ela hoje tem um rosto e uma voz, pois já se fala e já se denunciam mais situações, enquanto que antes eram muito silenciadas".

Sublinha também que "associada à violência doméstica, está uma série de outros factores, como a exclusão social, o desemprego ou a forma como as famílias hoje vivem e estão construídas. Possivelmente, são factores que vão desencadear, ou pelo menos promover, que possam existir contextos de violência".

Ana Beatriz Cardoso explicou que "a única vertente em que eu actuo enquanto jurista, tem a ver com o aconselhamento que é dado às vítimas, relativamente a questões que dizem respeito às tramitações do processo legal, à apresentação da queixa, à denúncia, ao aconselhamento sobre os seus filhos menores, às suas responsabilidades parentais, bem como a outras questões que possam surgir, sobretudo às utentes do Lar de Santa Helena".

Segundo a jurista, "não fazemos o patrocínio judicial. Tratamos do pedido de protecção jurídica, pedindo à Segurança Social a nomeação de um advogado oficioso. A nova lei vem dizer que deve ser nomeado às vítimas um mesmo defensor para todas as questões que elas possam ter a tratar. No concelho distrital de Évora isso sempre funcionou dessa forma. É nomeado o mesmo advogado para os diferentes processos que estejam pendentes em relação à mesma vítima. Pedindo esta protecção jurídica, as mulheres também ficam isentas do pagamento de custas".

O presidente do município de Arraiolos frisou que "é importante a presença do poder local em iniciativas como esta. Hoje, muita gente pensa que estas são questões apenas localizadas em centros urbanos de maior dimensão, mas não é assim. Infelizmente, nos nossos meios rurais, estas situações acontecem no dia-a-dia. A intervenção das autarquias, em parceria com outras instituições, como a Monte, julgo que é perfeitamente adequada e insere-se nos objectivos mais gerais de um município, que é dar o seu contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações".

De acordo com Jerónimo Loios, "já lá vai o tempo em que melhorar a qualidade de vida das populações, significava dotar essas populações de redes de água ou saneamento básico. Hoje, está relacionado com intervir em áreas sociais, com dar o seu contributo para que situações como as de violência doméstica, das quais tenho casos concretos no meu concelho, possam ser minoradas e resolvidas".

Acrescenta ainda que "ao darmos o nosso contributo, seja de que forma for, estamos a caminhar para a promoção dos direitos humanos e para melhorar a qualidade de vida das populações, neste caso de mulheres vítimas de violência doméstica. Estamos a caminhar para um mundo melhor, que é aquilo que devemos prosseguir no nosso dia-a-dia"
"Diário do Sul"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Função Pública

Ando muito preocupada com a instabilidade que se vive actualmente na função pública, eu que contribui para a eleição de um partido que se dizia de esquerda o PS , que foi mais longe que todos os partidos de direita que nos governaram após o 25 de Abril de 1974, retirou-nos o vínculo à função pública, passou mais de 700.000 funcionários para um regime de contrato, e esses funcionários como eu que já tem 21 anos de exercício de funções, volta a viver precariamente e a calar-se.
Será que é por desconhecimento da gravidade da situação, ou é um sintoma do medo que graça entre nós?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Notícias da minha cidade de Évora

Vivências do “campo” foram recordadas
Terça, 10 Fevereiro 2009 10:26

Alguns dos mais típicos quadros da vida do campo alentejano estiveram representados este sábado em plena Praça de Giraldo, numa iniciativa, plena de sucesso, organizada pela Câmara Municipal de Évora como forma de promover a Rota de Sabores Tradicionais, mais concretamente o mês dedicado ao porco.

Durante algumas horas, a principal sala de visitas de Évora contou com algumas representações etnográficas relacionadas com a matança do porco, trazendo até aos dias de hoje algumas da imagens que perduram na memória colectiva dos mais velhos, proporcionando uma autêntica "viagem no tempo".

Tendo como "padrinho" da iniciativa o eborense e geólogo Galopim de Carvalho, este "Dia do Porco" trouxe até à cidade carros de varais ou "canudos", lume de chão, onde se colocou a "cocaria" com a refeição dos trabalhadores rurais e a banca, com os respectivos utensílios, para a matança do porco, tão tradicional nesta época do ano no Alentejo.

Com esta iniciativa, que juntou centenas de pessoas na Praça de Giraldo, entre os quais inúmeros estrangeiros que se "deliciaram" com os quadros representados e com o paladar dos petiscos servidos, procura-se, segundo a autarquia, a promoção da gastronomia tradicional alentejana como um recurso identitário da cidade e da região.

Para esta acção, a edilidade contou com o apoio da: Entidade Regional de Turismo do Alentejo; Associação Comercial do Distrito de Évora; Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal; Centro de Estudo e Promoção do Azeite do Alentejo; Confraria Gastronómica do Alentejo; Confraria da Moenga; Confraria dos Enófilos do Alentejo; Rota dos Vinhos do Alentejo; Convívio Alentejo do Slow Food.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Voluntariado dos professores aposentados

Foi em discordância com o Ministério da Educação que muitos professores se aposentaram, agora depois de tantas lutas, manifestações, greves, os professores regressavam à escola para trabalharem sem receberem os dividendos merecidos pelo seu trabalho, ainda ocupando um lugar que deve ser ocupado pelos jovens professores desempregados, não é justo nem legítimo.
Eu não concordo que eles voltem, devem isso sim, viverem uma vida sem preocupações de horários, de problemas que todos os dias tiveram que enfrentar durante a sua docência.
Vivam uma vida com qualidade, passeiem, façam desporto e gozem a vossa tão merecida reforma.

São Roxo

Voluntariado

Fenprof acusa Governo de querer usar reformados para garantir funcionamento das escolas
Por Margarida Davim
Maria de Lurdes Rodrigues quer pôr docentes reformados nas escolas, em salas de estudo e bibliotecas ou em projectos de integração com a comunidade. Mas, para a Federação Nacional de Professores (Fenprof) esta é uma «medida economicista» que pode atirar jovens professores para o desemprego
O projecto de despacho enviado pelo secretário de Estado, Jorge Pedreira, ao Conselho das Escolas prevê que os estabelecimentos de ensino possam recrutar professores reformados para prestarem serviços de voluntariado.
A ideia passa por envolver docentes «de livre vontade, sem remuneração, numa prática privilegiada de realização pessoal e social», em trabalhos como o acompanhamento dos alunos das bibliotecas e salas de estudo, assim como na realização de projectos de aproximação da escola ao meio e na dinamização de actividades extra-curriculares.
Mas, para a Federação Nacional de Professores (Fenprof) trata-se de uma forma de pôr reformados a desempenhar tarefas que «deveriam ser da responsabilidade de professores no activo».
O sindicato acusa Maria de Lurdes Rodrigues de não dar às escolas a possibilidade de contratar docentes para manter o seu normal funcionamento. E acusa o Ministério da Educação de, «em vez de criar as indispensáveis condições às escolas», querer «através do trabalho gratuito dos docentes aposentados substituir aqueles que nelas deveriam ser colocados».
Para a Fenprof, esta medida poderá mesmo «remeter para o desemprego jovens professores que tanto têm para dar e tão necessários são às escolas portuguesas».
Apesar das críticas ao projecto de despacho que classificam de «economicista», os sindicalistas não acreditam no sucesso da medida proposta pelo Ministério.
«Não é de crer que este voluntariado consiga muitos adeptos» , comenta a Fenprof em comunicado, acrescentando que é precisamente «a natureza e o rumo da política educativa» de Maria de Lurdes Rodrigues que tem estado na origem «do afastamento de muitos professores das escolas», através da aposentação antecipada .

margarida.davim@sol.pt

Nenhum professor no activo poderá ser substituído por voluntários

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, reiterou hoje que nenhum professor no activo poderá ser substituído por voluntários eventualmente recrutados entre os reformados
«Em caso nenhum é para substituir o emprego docente, mas sim para complementar esse trabalho», afirmou Valter Lemos à margem da audição parlamentar da Comissão de Educação e Ciência sobre «Qualificação».
O secretário de Estado reagia assim à opinião de sindicalistas, que consideram «imoral» e «ofensiva» a proposta governamental de recorrer ao voluntariado de professores aposentados numa altura em que «há milhares de desempregados».
Valter Lemos disse ainda estranhar a manchete do Diário de Notícias de hoje - «Professores reformados recusam proposta para voltar às escolas» - explicando que a medida corresponde a uma proposta de um grupo de professores que está a ser estudada pelo Ministério da Educação.
Nesse contexto, frisou, foi pedido ao Conselho das Escolas que se pronunciasse sobre essa proposta, aguardando-se agora o seu parecer.
Valter Lemos sublinhou que «nunca estará em causa a substituição de professores no activo, mas sim a execução de tarefas suplementares no âmbito da lei do voluntariado tal como já existe nos hospitais».
Explicou ainda que esses voluntários nunca seriam recrutados pelo Estado, mas sim pelas próprias escolas, como acontece nos hospitais.
Essas pessoas desempenhariam tarefas complementares, como visitas de estudo, apoio às bibliotecas, reuniões de pais, festas e outras actividades, especificou Valter Lemos.
Segundo o governante, há uma vontade de apostar no voluntariado social tal como acontece em todas as sociedades modernas.
Já na segunda-feira, Valter Lemos garantira à Lusa que o recrutamente de professores não será afectado pela existência de um regime de voluntariado aberto aos reformados, lembrando que nenhum docente é «expressamente contratado» para as funções que os aposentados possam vir a desempenhar.
Também na segunda-feira, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou a intenção do Governo, afirmando que aquelas actividades «deveriam ser da responsabilidade dos professores no activo», com os quais, no entanto, as escolas «não podem contar». Por outro lado, afirmou que a medida «economicista» poderá «remeter para o desemprego jovens professores».

Lusa / SOL

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Barack Obama


Economia, energia, defesa nacional: pontos chave do discurso de tomada de posse de Barack Obama. Mas foi a esperança, mais uma vez, o mote dominante nas palavras do 44º Presidente dos Estados Unidos da América. Obama quer voltar a pôr os EUA a liderar o mundo sem vergonha do que fizeram no passado.
No discurso de tomada de posse, Obama focou os pontos essenciais da sua campanha e apontou todos os problemas a ultrapassar: « A nossa nação está em guerra (...), a nossa economia enfraquecida (...) empregos perdidos (...) a forma como utilizamos a nossa energia dá força aos nossos adversários».
Depois de apontadas as adversidades, Obama voltou a utilizar o mote de esperança: «Continuamos a ser a nação mais poderosa e mais próspera da terra».
Obama garante que ele e os EUA vão, juntos, conseguir resolver os desafios, salientando que ao escolhê-lo como Presidente os americamos optaram «pela esperança em vez do medo». O presidente assumiu a liderança do país enfrentando «desafios que são reais» e que «não serão vencidos no curto prazo (...) mas serão vencidos».
Numa cerimónia que chegou a estar em risco devido a uma ameça de atentado, Obama falou de questões de defesa nacional e rejeitou como falsa a escolha entre segurança dos EUA e os seus ideais. «Todos os outros povos do mundo, desde o país mais grandioso até à aldeia onde o meu pai nasceu, têm que saber que os EUA são amigos e que estamos prontos a liderar mais uma vez».
Obama apelou ao retorno a verdades como a «honestidade, a lealdade, o patriotismo, o trabalho árduo», valores que para o Presidente dos EUA são antigos, verdadeiros e necessários numa era de novas responsabilidade. «Lealdade e patriotismo tem sido a base do progresso da nossa história», afirmou.
O 44º presidente dos Estados Unidos disse hoje ao mundo que a América está de novo «pronta a dirigir» e propôs ao mundo muçulmano «uma nova aproximação, fundada nos interesses e respeito mútuos». Barack Obama, 47 anos, anunciou também que os Estados Unidos vão «deixar o Iraque ao seu povo de forma responsável e forjar uma paz duramente conquistada no Afeganistão».
Barack Obama prestou juramento no Capitólio, em Washington, perante dois milhões de pessoas e tornou-se o 44º Presidente dos EUA. O primeiro presidente negro norte-americano jurou sobre a mesma Bíblia que Abraham Lincoln utilizou em 1861 quando assumiu a presidência após a guerra da Secessão.
Na altura o novo líder dos EUA firmou: «Eu, Barack Hussein Obama, juro solenemente cumprir fielmente as funções de Presidente dos Estados Unidos e, com todos os meios ao meu alcance, salvaguardar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos».
Antes, tinha sido a vez de Joe Biden assumir o cargo de vice-presidente.
Frases-chave do discurso do presidente Barack Obama:

"Os americanos escolheram a esperança em vez do medo".

"A nossa nação está em guerra contra uma rede de violência e ódio".

"Os nossos desafios são reais, mas nós vamos superá-los".

"A nossa economia enfraqueceu por causa da avareza e da irresponsabilidade".

"Começaremos uma retirada responsável do Iraque".

"Proporemos aos muçulmanos um novo enfoque".

"Derrotaremos os extremistas".

"Os EUA lutarão contra o fantasma do aquecimento global".

(Sapo)

http://noticias.sapo.pt/especial/eleicoes_eua/dia_das_eleicoes/2009/01/20/posse/index.html

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Filhos de pais mais qualificados têm maior sucesso escolar
Hoje às 07:57
A qualificação escolar dos pais pesa mais no sucesso escolar dos filhos do que a origem social ou os rendimentos da família. A conclusão está num estudo do Ministério da Educação realizado junto de estudantes do 10º ano. O que se demonstra é que filhos de bons alunos têm em geral melhores notas.
Entre os jovens com sucesso na escola dois terços são filhos de pais com profissões muito qualificadas. A percentagem desce para um pouco mais de um terço entre os filhos de operários.
Também pertence a famílias com menor escolaridade a maioria dos alunos dos cursos profissionais que, em geral, não opta pelas áreas científicas ou de letras.
A análise «Estudantes à Entrada do Ensino Secundário», realizada pelo Ministério da Educação, demonstra que 62 por cento dos alunos nunca chumbaram e mais de metade, 57 por cento, acabaram o nono ano sem qualquer negativa.
Outra conclusão indica que dois terços dos alunos que no ano passado chegaram ao secundário já ultrapassaram ou estão quase a ultrapassar as habilitações literárias dos pais.
Um sinal claro de melhoria na qualificação dos portugueses. No inicio deste século só 15 por cento da população tinha concluído o secundário.
Este estudo confirma também que as raparigas têm em média melhores notas do que os rapazes e que a escolha da escola é determinada sobretudo pela proximidade da residência, embora a escolha dos amigos tenha também algum peso.
O estudo do Ministério da Educação baseou-se em inquéritos a mais de 46 mil alunos que chegaram ao ensino secundário no último ano lectivo, sendo que 95 por cento dos estudantes inquiridos são de nacionalidade portuguesa.
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1071474

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CARLOS ZORRINHO EM GRANDE ENTREVISTA

Num almoço que decorreu em Lisboa nas instalações do Clube dos Jornalistas o Professor Carlos Zorrinho manteve um longo diálogo com o "Diário do Sul", no decorrer do qual dissertou não só acerca do "Plano Tecnológico" de que é o Coordenador Nacional, mas igualmente de outros importantes temas, muitos deles ligados ao Alentejo। Para mais fácil leitura titularemos por ordem os assuntos tratados।
O PLANO TECNOLÓGICO EXIGE ÀS PESSOAS UMA MAIOR PREPARAÇÃO, UM MELHOR CONHECIMENTO. FALAR IDIOMAS (QUE NÃO SEJA SÓ O PORTUGUÊS), E TER UMA CULTURA ACIMA DO NORMAL. AÍ TEREMOS QUE PÔR ESSAS PESSOAS A "CORRER" AO LADO DO PLANO TECNOLÓGICO COM A FINALIDADE DE ATINGIREM UM PATAMAR QUE LHES PERMITA O " FUNCIONAR EM PLENO".
Repare que já temos mais de 650 mil pessoas que passaram pelas novas oportunidades. A Ministra da Educação ainda agora referiu que a nossa ambição é que 3 milhões de portugueses possam fazer esse tipo de requalificação. E eu faço um apelo aos leitores do "Diário do Sul" que se sentem de alguma maneira pouco preparados para estes desafios que agora se colocam, o irem a um Centro de Novas Oportunidades, inscrever-se. Vão encontrar muita gente, alguns vizinhos; vão em grupo, vão em conjunto. Fazem um pequeno curso de 20 horas, têm as suas competências reconhecidas, terão mesmo um computador e um acesso à banda-larga, e vão ver como depois tudo isso lhes permite, por exemplo enviar o IRS através do computador, pedir certidões, fazer um conjunto de coisas que rapidamente compensarão o esforço agora feito. E além de tudo estar mais à vontade para falar com os seus filhos; e estes terão orgulho neles porque haverá uma maior aproximação geracional, que é um problema com que hoje nos confrontamos.
O CEPTCISMO DOS ALENTEJANOS
Neste encontro com o Professor Carlos Zorrinho confrontámo-lo especificamente com aquilo que pode ser considerado "um certo cepticismo alentejano", face a anúncios de grandes projectos para a região, que nalguns nunca são implementados e caem no esquecimento.
Agora fala-se, e acredita-se no programa EMBRAER, em que o senhor teve papel activo, e anunciado em cerimónia avalizada pelo Primeiro-Ministro José Sócrates e pelo Presidente da República Federativa do Brasil Lula da Silva. Mas antes disso já tivemos os episódios dos Auto-Giros e do Skylander. Mas também recentemente algumas vozes, para desvirtuar a situação, ou porque sabem alguma coisa puseram a correr a notícia de que a EMBRAER afinal já não ficava em Évora, mas ficaria localizada em Beja. O que nos pode dizer?
Era óptimo que a EMBRAER pudesse aproveitar as extraordinárias infra-estruturas que nós temos em Beja porque eu acredito que uma vez feitos os investimentos que foram acordados para Évora, a EMBRAER fará mais coisas em Portugal. E não só a EMBRAER como outras empresas aeronáuticas que estão à procura de soluções em Portugal; e era muito importante que nós pensássemos no "cluster" aeronáutico do Alentejo como algo que pode envolver Évora, Beja e Ponte de Sor (onde como sabe também há uma componente, e projectos (não posso detalhar mais, mas de todo projectos importantes) que poderão reforçar numa parceria entre a Covilhã e Ponte de Sor, com um "cluster" aeronáutico na última destas cidades.
Eu compreendo perfeitamente o cepticismo dos alentejanos que depois de toda a história queiram ver de facto a obra. O que lhe posso dizer é que desde que foi assinado o acordo com a EMBRAER não houve um único minuto em que esse projecto não estivesse a evoluir. Não está ainda avançado para a fase de construção no terreno mas sim na sua montagem (financeira, tecnológica e de engenharia) pois trata-se de um projecto com uma dimensão e credibilidade muito diferente de outros projectos que entretanto falharam. Eu lembro-me, e gostaria de recordar quando na época era Coordenador do Pró-Alentejo o surgimento do projecto dos auto-giros. Na altura aquilo que eu defini era um critério muito simples: no mínimo os empreendedores teriam de conseguir mobilizar do ponto de vista privado um (na altura) conto (agora um Euro) a mais daquilo que esperavam do auxílio público; era o mínimo. E na altura eu recordo-me que os auto-giros decidiram que não seriam feitos em Évora, seriam feitos noutro sítio, e que era uma grande perca para a nossa cidade. Eu pergunto-lhe se já viu algum auto-giro construído? Ou seja: eles foram embora e não estão em lado nenhum; era claramente um projecto predador. Só estava ali porque tinham um conjunto de patentes que valorizavam de uma maneira excessiva e queriam que todo o risco da construção fosse do Estado português. O Estado não o assumiu (e ninguém o assumiu) e não há auto-giros em lado nenhum.
Quanto ao Skylander eu desejo que ele seja feito em Paris, embora tenha algumas dúvidas sobre isso. Mas com este projecto passou-se uma coisa muito similar: é que em nenhum momento os promotores estiveram à altura de responder a esta questão: eles próprios encontrarem um financiamento líquido, pelo menos um euro superior àquilo que pretendiam que fosse financiado pelo Estado português. Vamos ver. Deus queira que aconteça em França, não desejo nenhum mal aos promotores do Skylander, mas a verdade é que isso nunca foi possível, e por tal é que nunca foi apresentado um projecto concreto, específico na AICEP (Agência para o Investimento de Comércio Externo de Portugal.
O projecto da EMBRAER é diferente. É evidente que quando oiço notícias sobre a grande crise mundial com a paragem das grandes empresas (com a General Motor ‘s a poder ir à falência) cada um de nós fica preocupado, ou seja: se eventualmente a EMBRAER falir, se calhar não faz a fábrica em Évora; mas até este momento a EMBRAER continua a mostrar uma forte solidez financeira, e uma forte vontade de fazer esse investimento. E é isso que eu espero e desejo: que no primeiro semestre de 2009 haja obra, para que fique claro para todos os eborenses e alentejanos que a EMBRAER não é uma miragem, mas sim um grande projecto que nos vai colocar em termos de visibilidade global muito forte.
Beja não será de maneira nenhuma um entrave. Beja tem uma vocação completamente diferente. Para já eu julgo que seria uma longa história e penso que Beja perdeu uma grande oportunidade em 1998 (isso seria uma grande história) de autonomizar completamente a solução militar para a cidade. De qualquer maneira ela tem fundamentalmente três tipos de vocações que não são absolutamente nada contraditórias com as de Évora. Em Évora o que poderá ser feito é a investigação e produção de componentes aeronáuticos. Temos um bom aeródromo que igualmente permitiu um projecto em que ninguém acreditava e hoje é muito importante: o da Escola de Pilotos. Que foi também algo que envolveu o Pró-Alentejo, a Fundação Eugénio de Almeida, a Universidade a AEROCONDOR, a TAP e a SCHENEIDER. Com toda a gente de costas voltadas com projectos diferentes foi possível (agora vou fazer uma confissão anos depois) porque foram todos para fora de Portugal (não vou dizer onde) fazer uma cimeira para que as pessoas se desligassem das pequenas questiúnculas e conseguissem fazer um acordo para a Escola de Pilotos.
Voltando às vocações de Beja: uma de low-cost (que vai depender daquilo que for o investimento em Alqueva e na Costa Alentejana; outra de aeroporto de carga (que também depende muito do desenvolvimento que for feito em Alqueva, em termos de produtos, e com a ligação a Sines; e tem, daquilo que é o meu ponto de vista, uma enormíssima oportunidade que está a ser estruturada que é a de ser um local onde são reciclados, reparados, recuperados e estacionados aviões. Ou seja: Beja tem um grande aeroporto. Évora o que tem? Tem uma grande localização, e portanto eu acho que Évora e Beja são complementares.
E QUANTO ÀS OPORTUNIDADES?Eu julgo que as novas oportunidades é um dos programas mais interessantes. Aliás o Professor Roberto Carneiro está a fazer um estudo acerca do seu impacto, porque as novas oportunidades fizeram com que muita gente nunca antes pensando voltar à escola tivesse regressado, voltado a valorizar o conhecimento e voltado a sentir uma forte auto-estima pela aprendizagem. E isso é decisivo na nossa sociedade. Nós todos conhecemos gente na nossa terra que voltou à escola, que hoje tem um novo entusiasmo, que voltou a ler, compra livros, tem computador, vai à Internet e inclusivamente motiva mais os seus próprios filhos e os compreende melhor. Um dos problemas que sabemos existir nas famílias portuguesas é a da pouca capacidade de diálogo. Se há uma culpa terá a ver com as diferentes formações e diferentes lógicas e visões do mundo.
É evidente que as novas oportunidades como todos os projectos de grande dimensão podem ter sempre aspectos menos positivos, podem até existir no país, como já me disseram Centros de Novas Oportunidades que são facilitistas। O que eu apelo é para quem souber disso o deve denunciar. Nós não podemos pactuar e minorar o impacto desta medida. Por outro lado também é muito importante que as Novas Oportunidades não sejam um substituto para a formação inicial dos nossos jovens. As Novas Oportunidades são fundamentalmente o modo de requalificar e formar os adultos. E o não pactuar com eventuais jovens que procurem seguir um caminho mais fácil. Porque esse caminho mais fácil hoje, vai tornar a sua vida muito mais difícil.
(Excertos da entrevista ao Dr. Carlos Zorrinho)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Novas Oportunidades

Centro de Novas Oportunidades de Évora entregou diplomas a 430 adultos
Quinta, 04 Dezembro 2008 10:05
O Centro de Novas Oportunidades de Évora (CNO) da Fundação Alentejo realizou no passado fim-de-semana, no auditório da Comissão de Coordenação do Desenvolvimento Regional do Alentejo, em Évora, a sessão de entrega de diplomas a adultos certificados no ano de 2008, num total de 170 de nível básico equivalente ao 9.º ano e de 260 de nível secundário ou 12.º ano de escolaridade.

Para a presidente da Fundação e directora do CNO, Fernanda Ramos, "este foi um momento muito importante", revelando sentir-se "feliz" por entender que vale a pena apostar-se nas pessoas. "Tivemos aqui pessoas de várias idades, um casal com mais de 70 anos a receber o seu diploma, mas também muitos jovens. Tivemos aqui a expressão daquilo que é a nossa sociedade, da vontade e do querer das pessoas", salientou, asseverando que estão reunidas as condições "para desenvolvermos o nosso Alentejo juntamente com as suas pessoas, pois temos vontade e força para levar por diante o nosso Alentejo".
Fernanda Ramos recordou todos aqueles adultos que já passaram pela formação na instituição que dirige, afirmando que desde 2001 foram certificados 1.438 adultos "que passaram a ter maiores possibilidades e melhores condições no desenvolvimento das suas actividades". Em 2007, a Fundação Alentejo viu aprovado o seu centro de novas oportunidades, situação que permitiu a validação do 12.º ano a 425 adultos. "É sempre tempo de aprendermos, embora não tenhamos todos de ser doutores, temos todos de ser aprendizes", frisou. Agradecendo a todos, a mesma responsável sustentou que "estas certificações ajudam o país a sair da cauda da Europa, pois é valorizando as pessoas que fazemos uma região melhor, um melhor país e uma melhor Europa".
Desvalorizando as críticas feitas sobre o facilitismo destas certificações, afirmando que "em tudo na vida há sempre quem queira dizer mal e é sempre mais fácil destruir do que construir", Fernanda Ramos garantiu que no CNO "é um espaço onde se constrói, certifica e valida competências, não se dão diplomas". "Estes certificados conseguem-se com trabalho e vontade, havendo uma equipa de profissionais que estão disponíveis para ajudar a concretizar os objectivos de todos aqueles que decidem apostar em si, aproveitando mais esta oportunidade", reiterou.
Uma oportunidade que, na opinião do reitor da Universidade de Évora, Jorge Araújo, é apenas mais uma das muitas que a vida dá, pois outras "podem ser encontradas" na instituição que lidera. "A Universidade de Évora está aberta a toda a população, toda a população pode frequentar a Universidade, sejam jovens ou menos jovens", asseverou. O reitor explicou que existe, anualmente, um concurso para maiores de 23 anos a que estes adultos podem concorrer, advertindo contudo que e mesmo quem não entre através desse concurso pode inscrever-se como aluno externo da Universidade e ir coleccionando cadeiras, "podendo, um dia, concorrer pelas vias normais e fazer as que lhe faltam para terminar o seu curso".
Uma aposta na formação que, no entender de Carmo Gomes, representante do secretário de Estado da Educação e vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, "deve ser ganha, contrariando um número que motivou todo este trabalho e todo o desenho desta iniciativa". Um número que definiu como "assustador" – três milhões e trezentos mil portugueses não completaram o nível secundário de educação – tendo em conta que somos pouco mais de dez milhões. "Basta uma conta simples para percebermos que mais ou menos metade dos dez milhões é população activa e destes cinco milhões, mais de três milhões não concluíram o 12.º ano", explicitou.
Neste sentido relembrou a "importância" destas novas oportunidades que "lhes permitem que aceder a estruturas de educação e formação com vista a concluírem o seu nível de escolaridade". Carla Gomes afiançou que "nenhum país pode ser competitivo se tiver três quartos da sua população activa sem ter o nível secundário de formação", apelando deste modo a que todos os pais influenciem os seus filhos a completar a sua aprendizagem até ao 12.º ano.
Nunca é tarde...

A palavra ‘reformado’ induz-nos, na maioria dos casos, a pensar em alguém que está parado, mas Francisco Vicente representa o contrário disso. Tem 76 anos, é efectivamente reformado, mas acabou de receber o diploma do 9.º ano. "Foi para relembrar os meus antepassados e aprender mais, contribuindo para o progresso do nosso país" que este idoso decidiu lançar-se "no desafio" desta certificação. "Tinha só a quarta classe, porque tive que ir trabalhar para o campo onde estive até aos 24 anos. Depois entrei para as telecomunicações onde tive 36 anos, fiz vários cursos e cheguei ao nível 7 e após isso reformei-me e passei a tratar do que é meu. Entretanto, surgiu esta oportunidade e decidi tentar", recordou.
Fez o reconhecimento das suas competências, nos Canaviais, juntamente com a sua mulher que tem 74 anos e os dois foram receber no passado fim-de-semana o diploma que mostrou com muito orgulho. Revelou estar "muito contente, tudo foi bom", mas para ser sincero confessou que o melhor "foi o computador". "Eu olhava para aquilo e não percebia nada e agora estou mais operacional e os meus netos e os meus filhos vão-me ensinando e lá nos vamos entretendo. Adoro ir à Internet procurar como vai estar o tempo, ver os vídeos e ir ver o mundo no Google", afirmou, acrescentando que a sua mulher tem outro computador "para não guerrearmos".
Também Ana Maria disse ter visto concretizado um sonho antigo que durante muito tempo pensou que seria impossível realizar. Terminada esta etapa e com os olhos postos no futuro, "não posso dizer que acabei porque estou à espera de iniciar o meu percurso de certificação do 12.º ano e depois quem sabe...". A mesma vontade tem Generosa Varela que apenas possuía o 6.º ano, mas que depois de ter obtido a certificação do 9.º ano já está a pensar em continuar.
http://www.diariodosul.com.pt/index.php/noticias/333
Diário do Sul

Eu também fui receber o meu diploma do Ensino Secundário

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Nevão

Neve em Vila Pouca de Aguiar
Foto de Luís Castro Rosa

Neve em Vila Pouca de Aguiar
Fotos de Agostinho Teixeira
Neve em Vila Pouca de Aguiar
Foto de Paulo Meneres

Novas Oportunidades


O Sistema de Reconhecimento,Validação e Certificação de Competências (RVCC)
O Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências é um processo através do qual são reconhecidas as aprendizagens que os adultos desenvolvem ao longo da vida, nos vários contextos em que se inserem, desde que sejam passíveis de gerar conhecimentos e competências.
Através deste procedimento, os interessados podem aceder a um certificado, emitido com base no que aprenderam pela experiência de vida, fora dos sistemas formais de educação e formação. Pretende-se, desta forma, aumentar o nível de qualificação e de empregabilidade dos adultos activos, incentivar a formação ao longo da vida e promover o seu estatuto social.
Em termos específicos, o processo permite que cada adulto possa ver reconhecidas as competências que adquiriu, devendo, para tal, candidatar-se junto dos Centros Novas Oportunidades.
O programa das Novas Oportunidades para o Ensino Básico e Secundário, é muito importante para os Portugueses que durante a sua infância e adolescência não puderam ou quiseram prosseguir os seus estudos।
Também eu aproveitei a oportunidade de ver reconhecidas as competências que fui adquirindo ao longo da minha vida de trabalho e com as muitas acções de formação que frequentei, que me deram as competências, mas não a escolaridade que eu devo possuir para desempenar as funções de funcionária de biblioteca, funções que desempenho há 14