segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Aromas de Poesia Julho/Agosto/Setembro -2023

Aromas de Poesia Julho/Agosto/Setembro -2023

Aromas de Poesia I

Era setembro

Mas já passou muito tempo

E eu ainda me lembro

Dos ranchos de mulheres a vindimar

Cheirava a uvas maduras pelo ar

E a vinho mosto no lagar

Ainda me lembro

Das rodas dos carros de bois a chiar

Das lindas noites de luar

Ainda me lembro

Dos jovens a cantar às desgarradas

E ali estava eu a admirar

Os grandes serões de desfolhadas

Dos grãos de milho na eira a secar

E eu ali sentada a guardar

Com um livro na mão para o tempo aproveitar

O rodo de vez em quando ia passar

Para o grão de milho melhor secar

Ainda me lembro

Dia internacional da Mulher

 Dia da Mulher

O dia 8 de Março

é o dia da mulher

e para o festejar

muitas tiveram que morrer

há muitos anos atrás.

Infelizmente hoje em dia

continuam a morrer

agredidas por aqueles

que eram o seu amor,

mas que deixaram de ser

e por não aguentarem

dia a dia a sofrer

o seu lar abandonaram

muitas delas já morreram.

E cabe a todos nós

fazer com que acabe

a violência doméstica

do homem contra a mulher.

Usando da sua força

e da falta de caráter

mas também de algum costume

da nossa sociedade.

Até durante o namoro

há já muita violência.

não há pancadas de amor,

meninas tomem atenção,

não pensem só com o coração,

pois muitas vezes é assim

que começam a sofrer.

Vamos todos acabar

com esta situação.

Vamos todos dizer não!

à violência doméstica,

e vamos comemorar,

no dia 8 de março,

o dia internacional da mulher.


domingo, 19 de novembro de 2023

ICÉ- Certificados Literários










 

Verão -Areal, Maresia e Concha

Areal, Maresia e Concha 

Sentada debaixo do chapéu-de-sol,
Naquele lindo dia de verão,
Estendi os olhos pelo areal,
Vi uma menina, de balde na mão,
Apanhou uma concha, muito pequenina,
Que brilha ao sol, na sua mãozinha.
Lá longe apareceu, um velho casal,
A passear, com a mão, na mão,
Percorrendo a praia, de lés- a- lés,
Demonstrando ainda, a sua paixão,
E com as ondas, a bater-lhes nos pés.
Isto tudo logo, de manhãzinha
Eu nem sei o que me parecia,
Era como se a praia, fosse o paraíso,
Com aquele seu cheiro a maresia,
Onde alguns perdem o juízo.
Que o diga aquele jovem casal,
Que brinca alegre, com os seus filhinhos,
Vou dar um mergulho naquele lindo mar,
Que de manhã tem cheiro a maresia,
Apanho uma concha e fico a pensar,
Como é lindo o nascer do dia!...
Vejo aquele casal de namorados,
Que até já se esqueceram do sol,
E se beijam muito apaixonados,
Ali no areal deitados.
 Lá longe canta um rouxinol,
E eu olho, lá mais para diante,
Onde os pequenos, fazem um castelo de areia,
Mesmo já com o sol escaldante,
Continuam brincando, daquela maneira.
A maré já começou a encher
E aquelas enormes ondas de espuma
Enrolam-se na praia, uma, a uma...
Agora que já está a entardecer.
Como foi quente este dia de verão!
Já vou arrumar o meu material,
Tudo o que vi, encheu o meu coração,
Naquele imenso e lindo areal...

sábado, 18 de novembro de 2023

Premonições

Premonições


Premonição
ou sexto sentido
diz-me o coração
muito arrependido.

Não vás por aí
que aí há perigo
mas eu insisti
para meu castigo.

Bem me avisaram
e eu não ouvi
pois eles falaram
mas eu não resisti.

Foi meu coração
só que eu segui
não disse que não
e quase morri.

Mais os meus filhinhos
bem pequenininhos
foi uma premonição
disse-me o coração.

Por eles lutei
com eles fugi
eles não morreram
e eu sobrevivi.

Com eles escapei
para lugar seguro
já era de noite
com o tempo escuro.

Os meus queridos filhos
agora já são adultos
têm os seus filhos
e estão satisfeitos.

Mais os seus petizes
são muito felizes
sem premonições
nos seus corações.

São Roxo Orvalho

27/10/2014

Poemas novos

A Menina das Sardas

Menina que nasceu com um olho verde e outro castanho

Foi Deus quem lhe deu contraste tamanho

Com o cabelo ruivo e rosto redondo, pontuado de pintinhas castanhas

Teu corpo pequeno, um pouco gordinho

Teu sorriso aberto, com bonitos dentes brancos

Viveste uma infância e juventude felizes

A tua viagem de comboio do norte até ao Alentejo durava 24h

Pois era enorme e lenta essa viagem

Sonhaste que a vida ia ser feliz

Mas falhaste, e não o foi por um triz

Não soubeste fazer a tua escolha

Ou foste demasiado crédula

Acreditaste e apostaste na pessoa errada

E por isso foste muito magoada

Tu e os teus filhos correram perigo de vida

Disso, não te conseguiste recuperar, ainda...

Vives a vida um dia de cada vez

Como se mais nada pudesses fazer

Já acabaram todos os porquês

Já pouco te resta para viver

Os sonhos ficaram lá bem atrás

Nas outras pessoas já pouco crês

A vida para ti foi uma madrasta

Daqui para a frente o que farás 

Acredita mais naquilo que vês

Confiar cegamente já não és capaz 

Pensa em ti com mais confiança

Olha para a vida ainda com alguma esperança.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

“Lá Onde o Vento Mora”

“Lá Onde o Vento Mora”

ou

“O Vento conhece o Meu Nome”

 

O vento conhece o meu nome, desde que era pequenina.

De noite, ouvia-o chorar, batendo forte nas telhas do telhado, nos vidros das janelas e entrava gelado, por baixo da velha porta de madeira de nogueira, trancada com um velho ferrolho, que fazia um barulho infernal, ao passar do vento norte.

No inverno, às vezes, trazia grandes flocos de neve, que se iam acumulando nas ruas, em cima das árvores e nos telhados das casas de granito da minha aldeia.

Quando acordávamos de manhã, a paisagem tinha mudado, em vez do laranja ou castanho dos telhados e do verde das árvores, apresentava-se-nos um manto branco de neve, que cobria tudo.

Nesses dias, não havia aulas, a escola fechava por causa do frio e da dificuldade de deslocação das crianças, principalmente das que moravam longe da aldeia, nas diversas quintas espalhadas pelo vale de Aguiar, e por outros locais, alguns a mais de 3km de distância, com fracos acessos, eram caminhos de terra, onde a neve se acumulava por mais de 1 metro de altura.

Assim permanecia por uma ou duas semanas, se, entretanto, não chovesse e ajudasse a derreter a neve.

As crianças aproveitavam então esses dias para brincarem na rua, fazendo grandes bonecos de neve e atirando bolas de neve uns aos outros, eram uma enorme diversão, que nem se sentia o vento nem o frio, apesar de serem intensos.

Eram dias de grande felicidade, que recordo com muita saudade!

Évora


Évora

Évora linda cidade,
deste nosso Alentejo,
Évora, não tens idade,
neste tempo em que te vejo.

Évora do património
de toda a humanidade,
com teus belos monumentos,
Évora, linda cidade.

Tu que paraste no tempo,
há agora nova esperança,
pela vontade do povo,
que te levou à mudança.

O povo que quis mudar,
todos os protagonistas,
no poder das autarquias,
e que nos deixa a sonhar...

Onde possamos viver,
com toda a dignidade,
é o que o povo espera,
 de Évora, linda cidade...

São Roxo Orvalho, Évora, 07/10/2013

Ai esta dor!...

Ai esta dor!...


Não é rancor, é dor!
É sofrimento e desilusão,
A falta de respeito,
Depois de tanta dedicação.
Faz doer o nosso coração,
E acaba com a vontade,
De darmos tudo o que temos,
Muitas vezes, o que não temos,
Por causa de tanto esforço,
Damos cabo da saúde,
Connosco ninguém se importa,
Cai o suor, gota, a gota,
Do nosso rosto esgotado,
Ninguém está do nosso lado.
Isto é uma exploração!
Dói muito o nosso coração,
Por não ver reconhecimento,
De uma vida de dedicação,
Dia a dia, a todo o momento,
Nesta vida de enganos,
E foram mais de trinta anos...


domingo, 30 de abril de 2023

Escrita Criativa Os Livros 1

 Escrita Criativa Os Livros 1

Poema Os Livros

1-      Livros são papéis pintados com tinta

 

2-      Ponho neles a semente dos versos que granjeio

 

Estão à espera que hoje eu vos minta

 

Mas escrever poemas é tudo oque anseio

 

3-      Se hoje pelo sonho é que vamos

 

Neste mundo que muda em cada dia

A paz creio que em breve alcancemos

Para que possamos viver com alegria

 

Para que o sofredor povo ucraniano

4-      Numa noite sem lua possa passear

 

Que as instituições tracem um bom plano

 

Para que uma paz duradoura se possa alcançar

 

 

Foi para carregar os cereais da Ucrânia

 

5-      Que a barca se fez ao mar

 

A Rússia roubá-los é mais uma infâmia

 

E para que a fome dos povos se possa matar

Escrita Criativa "O Zé das Flores"

 Escrita Criativa "O Zé das Flores" 1

Era um homem de muito amores

Amava as suas flores

Que tratava com cuidado

Sempre de chão bem regado

Assim brotavam as flores

Como nasciam os seus amores

Lá em casa nasceu a Rita

Que era muito bonita

A Jade e o Amador

Que estudou para doutor

A Luísa e até o Pedro

Este nasceu em segredo

Todos nasceram lá sim senhor!

________________________

 "O Zé das Flores" 2

Inverter a história

Usar esta frase

“Amor com amor se paga”

Poema  O Zé das Flores

Coitado do Zé das Flores

Que perdeu os seus amores

Foram morar para o estrangeiro

Precisavam de ganhar dinheiro

Para comprarem uma casa

O Zé andava com um grão na asa

Hoje já ninguém o afaga

Nem lhe diz, amor com amor se paga

Para esquecer os dissabores

E o seu jardim cheio de flores

Que havia na sua casa

Que ardeu como uma brasa

Durante o inverno passado

Ele foi abandonado

Já não tem flores para cuidar

O seu tempo está-se a acabar

Já não acaba a sua mágoa

Amor com amor se paga

Mas ele foi abandonado

Já não tem futuro, só tem passado

Exercício Escrita Criativa- Carta de amor

Exercício Escrita Criativa- Carta de amor 

Escreva uma história de amor com as palavras:

1- tropeçar *

2- agonia*

3-azul*

4-vassoura*

5- escada*

6-indigestão*

7-bilhete*

8-espirro* 

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Carta de amor 

Meu amor quero-te abraçar

Descer a escada sem tropeçar

Na vassoura que ficou esquecida

Tu que és o amor da minha vida

No meu peito sinto uma agonia

Será que é alguma indigestão

É que bate forte o meu coração

Ou será por causa do teu lindo bilhete

Vou calçar os sapatos de estilete

E vestir aquele meu vestido azul

Vamo-nos encontrar na zona sul

Não te atrases se não embirro

Dei agora um enorme espirro

Será que vou ficar doente?

Ou é uma partida da minha mente

Que é muito prodigiosa

Às vezes é muito astuciosa

Ou é o meu sexto sentido

Que está murmurando ao meu ouvido

Que esta noite vai ser um fiasco

Que o nosso amor vai ser um fracasso.

O Circo

 O Circo

No circo há muita ilusão

Há leopardos e leões

Há palhaços trapalhões

Que fazem muita confusão

Há um cantor sem voz

Porque sofreu uma comoção

Há uma bailarina coxa

Que caiu do trampolim

Porque a corda estava frouxa

E, ela coitada ficou assim

Há um contorcionista com dores nas costas

Porque não fez bem o aquecimento

Agora procura as respostas

Por tão grave acontecimento

Há um mágico trapalhão

Que ao tirar um coelho da cartola

Arranjou uma grande confusão

Quando lhe saiu uma pistola

Aromas de Poesia

 Aromas de Poesia 

Os aromas de poesia

São os aromas do dia

Daquela rosa encarnada

Que está a ser desfolhada

Da flor de laranjeira

Que trago na algibeira 

De um pau de canela

Que pus dentro da panela 

Esta raspa de limão

Cheira bem na minha mão 

Que coloquei na aletria

E que comi com alegria 

Cheira bem a hortelã

Que está dentro da sertã

Cheirava à luz da candeia

Antigamente na aldeia

Gosto do cheiro dos livros

Mesmo antes de serem lidos

Cheira a cal fresca na parede

E à relva ainda verde

Gosto do aroma do perfume

E da lenha a arder no lume

Quase 50 anos do 25 de Abril de 1974

 Quase 50 anos do 25 de Abril de 1974

Foi em Abril de 1974

Que o nosso povo ganhou

A tão sonhada liberdade

Eu era uma jovem mulher

Era tenra a minha idade

E nenhuma informação

Era quase uma ignorante

Da política da nossa Nação

As poucas lembranças que tenho

Algumas são da minha aldeia

Foi ver um piloto, parente meu

Que pilotava um pequeno avião

Lançar panfletos do céu

Fazendo um voo rasante

Na campanha de uma eleição

Para eleger um novo presidente

Era para eleger o Umberto Delgado

Que depois foi morto pela PIDE

Acabando assim o seu legado

Foi à monda nos campos do Alentejo

Que o dia 25 de Abril me foi encontrar

Logo pela manhã, muito cedo

Que ouvimos no pequeno rádio

Que o manajeiro trazia junto ao ouvido

O locutor a ler o comunicado

A mando da junta militar

Dizer que a revolução tinha começado

Letra @ Letra 1

 Letra @ Letra 1

Letra a letra vou escrever

Uma canção de embalar

Vou ter de me conter

Para não te assustar

Vou cantar muito baixinho

Abraçar-te contra o peito

Falar-te com muito carinho

Adormecer-te desse jeito

Ó meu querido netinho

Contigo ao colo a dormir

Sento-me no cadeirão

Ver o teu rosto sorrir

Faz feliz o meu coração

Ser avó é uma alegria

E uma grande felicidade

Que vivo em cada dia

Deixando-me muita saudade

Fui avó pela terceira vez

O que me trouxe mais sensatez


Letra @ Letra 2

 Letra @ Letra 2

Escrever letra a letra

Com linda caligrafia

Era uma mete a atingir

Como não o conseguia

Só me apetecia fugir

Mas a nossa professora

Que era uma pessoa exigente

Batia-nos com a palmatória

Quando a letra não percebia

E quando a gente se enganava

Com a pena que escrevia

E o nosso texto riscava

Em frente a todos nos dava

Um enorme raspanete

Às vezes a cana-da-índia

Vinha direita às orelhas

Ou batia na cabeça

Para acabar com as manhas

Para que a gente não esqueça

De estudar bem a lição

Para que ao fazer o ditado

Não déssemos erros de ortografia

Por cada erro havia

Havia uma reguada na mão

A gente já nem tremia

Só o nosso coração

Muito acelerado batia